A perspectiva pedagógica que mais contempla nossos anseios acerca do papel da escola na formação social do ser humano é a Pedagogia Histórico-Crítica, que vem se desenhando no Brasil nas últimas duas décadas. Em sendo uma proposta pedagógica em construção, permite-nos uma margem de interpretação e inovações no campo metodológico de implementação desta pedagogia. Na Escola da Fazenda temos norteado o planejamento das atividades para um trabalho educacional que vise promover a formação de um ser atuante, conseqüente em seus atos, cooperativo, crítico e criador. Levando em conta a inerente espontaneidade das crianças e adolescentes, que permite e até obriga os educadores a deixar espaço e tempo para as manifestações criativas e criadoras dos mesmos, as atividades oferecem oportunidade de experimentar, de conhecer seu corpo, de explorar espaços e movimentos e de aprender a interferir no espaço em que vivem. E interferir, no sentido aqui utilizado, significa agir sobre uma determinada realidade, para modificá-la! O ser humano é um animal intencional, sendo capaz de antever sua ação. Isto quer dizer que nossa atuação enquanto educadores não pode se dar ao acaso, isenta de planejamento, já que objetivamos o desenvolvimento intelectual, afetivo, social e físico da criança/estudante, em sua plenitude, bem como a construção, por parte da mesma, dos conhecimentos necessários (matemática, linguagem, ciências naturais, ciências sociais, educação física, artes, etc.) à sua compreensão e intervenção na realidade. A pedagogia histórico-crítica permite à Escola da Fazenda adotar a questão ambiental como princípio educativo por localizar nas relações sociais capitalistas a origem da degradação das condições da vida. A escola como espaço de ciência deve contribuir para a humanidade edificar a sociedade fundando-se no desenvolvimento humano. UM POUCO DE HISTÓRIA... Em 1994, quando a Escola da Fazenda iniciou suas atividades com as crianças da Educação Infantil, tínhamos a plena convicção que não queríamos ser “apenas mais uma escola”, iguais a tantas outras que existem por aí. A busca pela fundamentação teórico-metodológia que atendesse a este anseio foi um caminho que logo se fez necessário, pois a espontaneidade é salutar, mas nunca suficiente para garantir o alcance de objetivos educacionais críticos. Naquele início de ano tínhamos uma única turma de seis crianças, entre dois e seis anos de idade. Esta condição nos permitiu ampla possibilidade de experimentações no campo das atividades pedagógicas desenvolvidas com este pequeno grupo; além da intrínseca relação que possuíamos com as famílias. Este início marcou nossa história, pois nunca mais abandonamos estas características: experimentação e ousadia constantes; contato próximo, respeito e parceria com as famílias!! Em 1996, já com quatro turmas em funcionamento (uma no matutino e três no vespertino), o que demonstrava não só a demanda da comunidade, mas o rápido respaldo que vínhamos construindo junto à comunidade local, e também já com um grupo de profissionais dispostos a refletir mais a fundo o papel da educação escolar, conseguimos estruturar os primeiro ensaios do grupo de estudos e capacitação docente continuada – característica que também passou e se incorporar na Escola da Fazenda e não mais a deixou. Ali fomos percebendo o quanto tínhamos influência do referencial construtivista na educação e a necessidade de supera-lo. Com a contribuição marcante de professores universitários conhecidos nossos, passamos a estudar o referencial teórico-metodológico do enfoque histórico-cultural. Em 1998 tivemos nosso primeiro PPP – Projeto Político-Pedagógico -, construído coletivamente por todos os seguimentos escolares, por meio de representação (estudantes, famílias, professores, direção, serviços e manutenção). Foi uma experiência inovadora à época, pois a LDB recém havia sido promulgada e Santa Catarina havia acabado de divulgar sua Lei complementar que regulamentava no âmbito estadual as novas regras para a educação escolar na Educação Infantil e Ensino Fundamental. Em 2000 realizamos um amplo estudo de diferentes Referenciais Curriculares, que “revolucionaram” nossa estrutura curricular, particularmente no ensino de 4ª à 8ª séries (atuais 5º ao 9º Ano). Em 2002, já com experiência acumulada não só na relação com as crianças/estudantes, com as famílias, mas também, e principalmente, com a Equipe Pedagógica, podemos ousar organizar encontros gerais, abertos a toda a comunidade, que no ano seguinte passou a chamar-se “Congresso Escolar” – espaço em que apresentamos nossos fundamentos pedagógicos e estabelecemos diálogo com os participantes, na busca de aprimorara a reflexão sobre a educação social e escolar das futuras gerações. Em 2004 os ensaios anteriores de interdisciplinaridade ganharam destaque no formato metodológico das “Atividades Integradas”, recurso didático de mais amplo sucesso da proposta curricular da Escola da Fazenda. Em 2006 estruturamos com maior consolidação teórica a Formação Docente Continuada, por meio não só da Paradas Pedagógicas, como dos Cursos de Capacitação temáticos. A cada ano, pautados em estudo teórico e reflexão sobre a prática, melhoramos nosso trabalho pedagógico, movimento constante que não cessará enquanto houverem na Escola pessoas realmente preocupadas com a transformação da sociedade e construção de mundo melhor de se viver!
Karine Antunes – Coordenadora Pedagógica.
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